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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

PARA MINHA ALEGRIA

Como se diz a alegria? Em sementes que germinam em terra molhada? É necessário saber dizer a alegria. Como se diz a alegria? Em espasmos delirantes de paz e de mansidão que se aninham nas curvas de um corpo? Como, alegria? Como te hei de dizer? És sol quando tenho frio? És uma brisa, os rumores de um rio? Como te hei de dizer? A beleza dos olhos mais contemplativos de antigas damas. O sal! És o sal contido em que me não posso conter. Não te sei dizer, alegria. Mas sei. Estás comigo. Fico apenas com a falta. Porque ainda é necessário dizer-te.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Vejo cinza e azul. O chão se torna lar. Aschenputtel. Anjo. Libérrima e misérrima. Sem lágrima. Forjei raios que engolirei. Eles me hão de tanspassar ferindo-me os torpores em que resolvi acreditar. E crio em mim sugestões de dores e de euforia. É dia. Passeio em mim sem sol sorvendo meus próprios lábios salgados que abriram a porta para uma miséria que não sei. Tenho sabor de noites sob o sol que não há e que se ousa sobre minha carne. Mas é dia. O dia de todas as madrugadas em que não se acalentam os que choram. Esta é a hora. Ela há. Aurora atrevida. Passará? O tempo é perjuro. E o sol que por ora só posso inventar - está escuro.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Memento mei

Não saber. Não conhecer. Estar distante. Zelo e cio. Tão isso não mais. Mas o delírio da dor dos fantasmas que crio! O vazio, relicário em que os acomodo. Vivo. E ando. Farejo.  Espreito.  Suspeito. Por que tudo o mais? Amor memento mei in excelsis.  E penso. Um dia o que sou terá pensado. E meus restos causarão espanto em um muito distante futuro Victor Hugo. Pensar me espanta. Penso tanto. São ruínas em mim as ideias.  Sustos do passado.

O exílio do teu gosto.