Ocorreu um erro neste gadget

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Um alumbramento

Pelo poder da vontade
Saem de mim
Como seiva
Rastros de tempestade.
A vela que velo com zelo
Consome-se.
Percebo-lhe o derreter
Em uma minha eternidade.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

1988

Minha vida pesa,
pesa mais que mil pecados.
Pesa como dez mil fardos
carregados de feridas.

Minha vida pesa
como corpo amortalhado.
Pesa como dez mil fardos
carregados de feridas.

Minha vida pesa!
Mais que um amor acabado!
Pesa como dez mil fardos
carregados de feridas.

Minha vida pesa,
pesa como dez mil fardos,
todos eles carregados
c'o peso da minha vida.

sábado, 16 de agosto de 2014

POE

Nunca mais. O belo na certeza do encontro temporal. A mão no sorriso como se o retivesse ou se tal o desejasse. No entanto, mãos e sorrisos se desfazem em desafetos que o tempo promove para dissolver. Nunca mais o que seja agosto em Vila Velha ou o que quer que seja em mim. O torpor da vida mora na dimensão do nunca mais. Busco, nas palavras de qualquer poeta, a eternidade que o "nunca mais" aninha.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

LIRA DO BATOM



Desafio-te, ó nariz do clown!
Pois se te presumes a menor máscara do mundo
Rende-te à exiguidade – fatal - do batom.

Lança os olhos à inevitável pequenez
Do intenso que cobre o que em nós murmura.
Toca com leveza o que é efêmero
Toca com ternura.

Nariz do clown.
És uma lágrima.
Em uma cor, uma dor.
Mas o batom, que cores!
Incalculáveis delizes

Para cada amor.

PUDOR PARA O LUAR



Por que não seriam cabisbaixos
Alguns luares?
Há lugares para todos.
Sou contemplativa.
Estou outrem.
Que os olhos nada me contem!
Que o mundo me seja tíbio.

O vício que seja comigo
O não-dano que consigo
De reafirmar desordem.

Calejada em calar-me
Ouso pedir a mim-outrem
Que me toque com brandura.
Que me seja cabisbaixo
O rubor que ainda ensaio.

E que não me ponha nua
Enquanto olho para baixo
E ainda assim vejo a Lua.