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quinta-feira, 26 de abril de 2012


SURSUM CORDA PARA ELSA DALCIN


Mis manitos de bebe
buscan a mi abuela
en el cielo – lo creen.

Están mis manitos de bebe
en mi corazón ahora.
Y siempre.

Mis manos de mujer
recogen lágrimas
que se van
hacia abajo.

Pero aquí están
en mí
las manitos de bebe que tengo
buscando a mi abuelita.
Y así llevan a mi corazón
hacia arriba.

terça-feira, 17 de abril de 2012

RASGO DEVIDO

Aqui estou
no silêncio de cio não-confesso.
Perdei-me, ó perdulários.
Rendo-me às correntes
que pesarem o suficiente.
As horas passadas, dei-as à vida.
Cada passo dado é meu e nada.
Vida vadia endividada.
Evitai cegos esta estrada.

domingo, 15 de abril de 2012

ALMAS, BOAS ALMAS

Almas, boas almas
que chegastes ao Céu:
procurai-lhe o fundo.
Ouvi, eu vos peço, de lá os suspiros
que são tantos
porque o poeta não mente.
Ao menos aquele poeta não mente.
Ouvi de lá os suspiros
os suspiros
os suspiros
- Tantos e ao infinito!
Porém, tende cuidado
em não pisar os corações
que perambulam por este mundo – contrito!
Porque não achareis um sequer
em que não haja
- Desespero!
O poeta não mente.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

EU, A NOVA ORDINÁRIA MUNDIAL.



Mediano mundano. Tétrica teoria. Feérica farofa.
Outrossim. Fábulas, a mim.
Coleção de aforismos reles; não o reles de hoje, inominável incompreensível aglomerado plástico. Antes o reles anterior àquilo tudo que já houve de ser de celuloide. O reles de prontidão em cantos bem mais antigos. Aparador com cheiro de alfazema barata, sobre o qual se veem bocetas de porcelana cheias de joias de ouro baixo – ah, um lenço. A conjunção desordenada dos mistérios culturais. A vagabundíssima nostalgia. Loção em seda azul-marinho. Tradição bolor labor. Outrora de riso em prosa confeitada em cor-de-rosa. A coisa que virou cousa tão-somente porque tal me aprouve. No entanto – à lousa! À lousa!

Não se morre de amor, mas de amores – porque o nome verdadeiro do amor é legião.
O que há de mais ordinário no mundo senão a ordem?
Não se pode pensar outra cousa fora o amor, pois se bem me desligo o coração, é certo que morro.
O mundo se nos chega somente de fora; daí esquecermo-nos a espreitá-lo.
É exatamente contra ti, na medida do peito, que deves trazer sempre o que deveras amas.
Não te vanglories antes da constatação de não teres tropeçado no cadáver do inimigo.
O sabão e o sermão já foram irmãos.
O mundo não te pertence, tampouco tu pertences a ele.
Se o mundo te pedir que sejas decente, responde-lhe que preferes ser somente.
Mais-valia e pouca monta, a natureza não conta.
Reforma o mal, terás a moral.
Tudo poderás ter na vida, menos a morte.
Carmim ou encarnado, isso é passado.
Não tenho vaidades fora as que crio para mim mesma. Sou mulher, não sou escrava cultural.
Admito que sejas na vida o que quiseres, exceto ignorante. Se o fores, porém, não exponhas opiniões, pois não as terás.
A morte é a impressão de perda e de impotência que temos diante do outro. Diante de nós mesmos, a morte é cousa nenhuma.