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terça-feira, 20 de março de 2012

RISO

Chapéu bicorne, estrela falante.
Isto agora durante.
Quiçá memória?
De elefante.
Aqui agora paraíso
em que me perco em lágrima e riso.
Dinheiro é delírio.
Farsa, farsante.

Rebenta a lira pula idílio.
Morte às rãs, mas e se chove!
Que dó me dá a ciência do estribilho.
Duvido do que me move.

Ouço as estrelas.
Elas me dizem o que espero.
Dizem delas que são, sem mais, só elas.
Espreito-me na carne que sente.
Altas, distantes – parecem belas.
Ah, como as estrelas mentem!

Estrelas fingem contar segredos.
Dizem que devem cair sobre mim.
Uma a uma, assim e assim.
Que caiam – riso. Não tenho medo.

(Temerei o que é vosso ofício?)
Que seja tarde, nunca ou cedo.
Não pude ver o início
como posso temer o fim?

terça-feira, 13 de março de 2012

MINUTO DE LUTO

Não sei silêncio.
Cri como creste
que o houvera sabido.

Mas que silêncio é este?
Impressão de ouvido.
Não me pertence o devaneio da solene hora triste
que imita o silêncio diante de morte ausente
e que há porquanto o silêncio não existe.

sábado, 10 de março de 2012

BOM DIA

Amigo!
Amor!
Irmão!
Chefe!
Capataz!
Quanto tempo faz?

Bom dia.
Querido!
Flor!
Camarada!
Sabe para onde vai esta estrada?

Bom dia.
Por ora.
Senhor!
Senhora!
Bom dia.

É sabido que na vida todo o mundo
entra e sai.
Bom dia.
João!
Maria!
Como vai?

segunda-feira, 5 de março de 2012

DA NOITE

Noite. Digna de imitar nossa crença no silêncio e na compaixão.
Mistério.
Noite. A quem aprouver, veste-se de dama de companhia
da solidão.

Noite, noite não.
Parece a noite a estada na hora às avessas.
A quem quiser, cala-se a noite em confiança
a dores e promessas.

Requisita-se na noite a melancolia
e assim parece que a noite nos dá
antigos olhares, encontros e alegrias.

Noite. Escrava do pensamento
daquele que lamenta a condição
de estar só.

Como o queremos
a noite nos diz.
Sabe-nos ela a conta infeliz.

Mas a noite de tão contemplada em
misérias nossas
nem ao menos nos diz
que por nós somente choramos,
ainda que bem o façamos.

A noite se faz por nós
em legítima hora de sermos pó
e nos lembramos de momentos
que nada têm com ela.

A noite, a noite não é donzela
que se prepara para cada um que pena
ou que se ri.

A noite, por si, por ela,
estará sempre aqui ou ali.

Não me pertencem as ilusões de nuvens discretas da noite.
No minuto forte ou enfermiço – sei:
ela nada tem com isso.

Mas noite, noite. Não te amo.
Porém, vê o quanto choro!
Lembra-me de que estou só.
E nesta hora em que me perco
no passado
só quero dizer-te que perdi
minha avó.