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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

PROFESSORA, EU?


É bom ser professora, porém não sei se melhor ainda é lembrar-me de que tive meus professores, particularmente aqueles da infância e da adolescência, cujas falhas de cunho científico não me era possível ver com clareza, tão pouco tinha eu vivido ainda para compreender que o ser humano tem falhas que esconde de si mesmo por toda a vida. Quando se é demasiadamente jovem, só há professores condignamente dotados de ciência, ao menos no que tange ao (pouco) que compreendemos por ciência. Parece-nos, na infância e na adolescência, que os professores são seres permanentemente dotados de senso incomum. É verdade que, nos idos primeiros de nossas vidas, da vida sabem mais eles do que nós. Eis a razão de não vermos suas falhas. Aliás, aprendemos a ver as falhas de nossos velhos professores quando começamos a sentir necessidade de esconder as nossas; e assim vivemos, como todos os de nossa espécie, sabendo-nos falhos, conhecendo que há falhas e vergonhas em todos, sem que nos esqueçamos de escondê-las. Há, claro, aqueles que têm uma incompreensível perícia em esconder melhor suas falhas, o que é escondê-las de si mesmos, a crer (de fato) que (elas) não existam. Já dizia Oscar Wilde que todo ser humano sabe mais do que pensa, mas menos do que gostaria. Essa amostra de senso (de si) como assertiva é tão humana quanto discutível, mas, como ponte para reflexão, realmente sugere, e não mais do que isso, pois não ouso apelar ao peremptório, cerne de minhas descrenças, sugere, repito, nossa descrença no que somos e nossa ânsia por conhecer mais e mais, sem que nos atentemos àquilo que já sabemos. Por que o professor não crê em si? Há, realmente, questões que se fazem para o absoluto (?) nada, pois curta de ideias seria eu ao dizer que isso se dá por serem todos humanos (a constatação do óbvio torna as coisas ainda menos óbvias, pois sequer sabemos conceber o que chamamos de reflexão fora do contexto da humanidade). Somos humanos, dizemo-nos humanos, mas não compreendemos o não-humano, pois nossa compreensão não passará, ainda que acerca de coisas externas à humanidade, de compreensão humana acerca de alguma coisa. Somos (sim, lugar-comum dói) pequeninos (e o tal do imenso universo nunca será, na realidade, senão o que dele podemos COMO HUMANOS compreender). O universo PARECE SER O QUE É, mas É O QUE É (ou talvez seja) somente a partir da concepção que dele temos. Pois o SER é um conceito, uma concepção, um entendimento. E conceito, concepção, compreensão e entendimento, esses sim: são o que são no absoluto. Daí necessitarmos crer não mais do que naquilo que é tão-somente o que é. Se o amor, o grandíssimo e incompreensível (somos humanos...) amor é um conceito, uma concepção, depende ele também daquilo que é o que é. Não há, pois, que querer, por meras concepções, provar que há ou que não há algo no que chamamos (por nossa concepção) de existência, uma vez que a própria existência não é senão o que dela concebemos.

Paulo Freire (de quem confesso não ser leitora, muito menos seguidora) sugeriu que ensinar é uma ousadia. Disso, que parafraseio de subtítulo de livro, tiro proveito. Concebemos a dignidade humana, e ela nos parece justa, pois a criamos para nós mesmos; o ensino, no caso, seria um caminho para auxiliar na obtenção e/ou manutenção dessa dignidade. Daí que ser aluno, receber os efeitos (?) do ensino é um direito inalienável do ser humano. Nós criamos a dignidade, nós criamos o ensino. A cultura nada mais é do que nossa. O que o ser humano produziu e criou é dele e somente dele; daí é necessário que o que é de direito se torne de fato: eu criei a dignidade pela capacidade de conceber; daí que a dignidade passa a ser minha. Indigno é que eu não a tenha. No entanto, somos nós, seres falhos, inseguros na concepção dos próprios saberes, que ousamos dizer a outrem (falhos e inseguros como nós) o quanto é importante que conheçam o que lhes é de direito. Professora, eu? Sim. Um atrevimento que me acompanhará como iguaria irresistível e proibida enquanto meu poder de concepção funcionar.

SIM, UM BLOGUE!


Tenho BLOGUE. A grafia por que opto não é somente sintoma de condição profissional, mas resultado de plena crença no processo evolutivo da Língua (do qual adaptações gráficas não se podem apartar). Que ninguém se sinta constrangido a, por ora, seguir minha opção, pois aqui não a entenderei senão como preferência pessoal, ao menos enquanto o uso permanecer indeciso entre a grafia inglesa e a adaptada (digo indeciso - não escondo, na esfera desse mesmo uso a vantagem da forma inglesa - por estarem as duas formas brilhando em coexistência nos mais conhecidos dicionários brasileiros atuais).