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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

ALEGRIA, LEMBRA-TE DE MIM



O mistério de um arder perene.
A certeza dos mistérios de mim.
A marca na carne dos torpores do toque.
Descobri o alumbramento sem fim?

Nua estou em minhas ideias.
Que é delas? Acariciam a vida.
Meu amor. Agora o digo.
O susto de reaver a mim perdida.

Não digo de estar feliz.
Não digo porque não sei.
Mas entendo a alegria em vertigens
que nasceram destes passos que ora dei.

Que é de mim então que te amo tanto?
Tua falta e presença em mim se enlaçam.
Só contemplo este outro olhar que crio
para os novos rios que em mim passam.

Tu não sabes! O que tenho é tanto
que me fere em sublimar os meus momentos.
Penso toda em ti. E a cada instante
quero o mundo convertido em nosso tempo.

Que as horas desta vida se refaçam!
Porque digo novamente e com encanto:
_  Tua falta e presença em mim se enlaçam.


No saber-me logo a mim que te amo tanto.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

PARA MINHA ALEGRIA

Como se diz a alegria? Em sementes que germinam em terra molhada? É necessário saber dizer a alegria. Como se diz a alegria? Em espasmos delirantes de paz e de mansidão que se aninham nas curvas de um corpo? Como, alegria? Como te hei de dizer? És sol quando tenho frio? És uma brisa, os rumores de um rio? Como te hei de dizer? A beleza dos olhos mais contemplativos de antigas damas. O sal! És o sal contido em que me não posso conter. Não te sei dizer, alegria. Mas sei. Estás comigo. Fico apenas com a falta. Porque ainda é necessário dizer-te.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Vejo cinza e azul. O chão se torna lar. Aschenputtel. Anjo. Libérrima e misérrima. Sem lágrima. Forjei raios que engolirei. Eles me hão de tanspassar ferindo-me os torpores em que resolvi acreditar. E crio em mim sugestões de dores e de euforia. É dia. Passeio em mim sem sol sorvendo meus próprios lábios salgados que abriram a porta para uma miséria que não sei. Tenho sabor de noites sob o sol que não há e que se ousa sobre minha carne. Mas é dia. O dia de todas as madrugadas em que não se acalentam os que choram. Esta é a hora. Ela há. Aurora atrevida. Passará? O tempo é perjuro. E o sol que por ora só posso inventar - está escuro.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Memento mei

Não saber. Não conhecer. Estar distante. Zelo e cio. Tão isso não mais. Mas o delírio da dor dos fantasmas que crio! O vazio, relicário em que os acomodo. Vivo. E ando. Farejo.  Espreito.  Suspeito. Por que tudo o mais? Amor memento mei in excelsis.  E penso. Um dia o que sou terá pensado. E meus restos causarão espanto em um muito distante futuro Victor Hugo. Pensar me espanta. Penso tanto. São ruínas em mim as ideias.  Sustos do passado.

O exílio do teu gosto.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Um alumbramento

Pelo poder da vontade
Saem de mim
Como seiva
Rastros de tempestade.
A vela que velo com zelo
Consome-se.
Percebo-lhe o derreter
Em uma minha eternidade.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

1988

Minha vida pesa,
pesa mais que mil pecados.
Pesa como dez mil fardos
carregados de feridas.

Minha vida pesa
como corpo amortalhado.
Pesa como dez mil fardos
carregados de feridas.

Minha vida pesa!
Mais que um amor acabado!
Pesa como dez mil fardos
carregados de feridas.

Minha vida pesa,
pesa como dez mil fardos,
todos eles carregados
c'o peso da minha vida.

sábado, 16 de agosto de 2014

POE

Nunca mais. O belo na certeza do encontro temporal. A mão no sorriso como se o retivesse ou se tal o desejasse. No entanto, mãos e sorrisos se desfazem em desafetos que o tempo promove para dissolver. Nunca mais o que seja agosto em Vila Velha ou o que quer que seja em mim. O torpor da vida mora na dimensão do nunca mais. Busco, nas palavras de qualquer poeta, a eternidade que o "nunca mais" aninha.